Minha Londres: Marcio Delgado

Minha Londres: Marcio Delgado

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Foto: Arquivo pessoal

Enquanto caminhava pelo Aeroporto Internacional de Heathrow, em Londres, após passar pela imigração e pegar suas malas, Marcio Delgado percebeu que a capital britânica não era habitada apenas por ingleses fleumáticos, com aquele sotaque característico difundido pelos filmes de Hollywood. Ao observar os viajantes que circulavam apressados em seu entorno, identificou turbantes, túnicas, barbas, cabelos e idiomas que revelavam muito mais indianos, paquistaneses e bengalis do que imaginava encontrar ao planejar a ida ao Reino Unido.

O choque inicial do jornalista, no entanto, não amainou o desejo de permanecer em Londres. Logo surgiram o primeiro emprego em comunicação no exterior e os primeiros seis meses na cidade. Sete anos depois, Delgado, 33, natural do Rio de Janeiro, segue na capital britânica, agora como gerente de marketing para o Grupo Record no Reino Unido. A comunidade brasileira, porém, o reconhece por outras de suas funções na emissora: apresentação do programa Direto da Record, de julho a outubro deste ano, e reportagens especiais para o canal.

Em entrevista ao Mapa de Londres, Delgado conta qual é a sua relação com a cidade e dá dicas para os viajantes que desejam viajar para a capital britânica.

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Por que você veio para Londres?

Eu vim para ficar seis meses. Já conhecia a cidade por ter visitado anteriormente e voltei para uma curta temporada. Estes acabaram sendo os seis meses mais longos da história, um convite de trabalho puxou o outro e quando vi, seis meses acabaram virando seis anos… sete!.

Quais foram suas impressões no primeiro contato com a cidade?

Estive a passeio em Londres antes de decidir vir passar um tempo maior. O meu único choque mesmo foi no aeroporto de Heathrow, desembarcando e descobrindo vários indianos e muçulmanos. Eu achava que as pessoas eram mais brancas, como nos livros e guias de turismo que compramos no Brasil. E nunca sequer havia ouvido falar de Brixton, onde acabei indo morar. Foi bom descobrir esta diversidade.

Quando e como você foi parar na Record?

A Record, a exemplo de outros trabalhos no Reino Unido e no Brasil, foi através de convite e indicação de uma grande amiga em comum. Mas eu não achei que estava vindo para uma entrevista de emprego. Foi mais um bate-papo para falar de um guia sobre Londres que eu havia acabado de lançar em inglês e espanhol. E no meio da conversa, aconteceu a contratação. Isso foi em abril de 2010.

Green Park / Luiz Valdez, SXC

Qual é o seu TOP FIVE de Londres?

Gosto muito de teatro e sou eclético: vou ao ‘West End’ para os grandes shows, mas também gosto das casas de espetáculos menores, porque teatro nestes espaços é feito com mais paixão, pela arte mesmo – não pelo dinheiro ou fama. No verão, estou sempre entre Green Park e Hyde Park ou nos bares e restaurantes do Soho. E quando o tempo esfria, acabo indo mais ao cinema, porque fica mais vazio, sem tantos turistas e estudantes conversando no meio do filme.

Quais suas recomendações para amigos que desejam visitar a cidade?

Sempre que alguém vem (ou vai viajar), eu recomendo a mesma coisa: faça a mala o mais leve e vazia possível. Ninguém tem que ficar carregando peso à toa. E sempre recomendo que as pessoas pesquisem mais, economizem um pouco mais e aproveitem a visita para fazer outras coisas bacanas, como conhecer o interior da Inglaterra ou pegar o Eurostar, por exemplo, e ir conhecer Paris, Bruxelas, etc. Londres é muito bem conectada com o resto da Europa. Infelizmente, às vezes, as pessoas esquecem disso e perdem muito tempo batendo perna na Oxford Street comprando bobagens.

Do que você mais gosta na sua rotina na capital britânica?

Embora eu não goste da palavra ‘rotina’, é bom saber que o transporte funciona. Mesmo com atrasos sabemos, que vai dar para chegar em casa. Não tenho uma rotina muito rígida. Os dias de trabalho para quem escolhe (trabalhar em) TV são bem longos, especialmente por causa da diferença de horários entre Reino Unido e Brasil, mas raramente os dias são iguais.

E do que você menos gosta?

Acho que tem muita gente preguiçosa no Reino Unido, vivendo às custas do governo. E ninguém faz nada! Existe uma cultura de assistencialismo no Reino Unido que eu pensei que só existisse no Brasil. O ex-presidente Lula e seus projetos de bolsa-escola, bolsa-criança, bolsa-merenda e Deus sabe mais o quê iria fazer o maior sucesso aqui. A sociedade inglesa adora sustentar quem quer ficar em casa tomando chá.

Pretende voltar ao Brasil?

Sinto saudade da minha família e vou ao Brasil uma vez por ano. Gosto de tudo lá: do sol, do humor, do mar e até dos anônimos que fazem o país ser tão fascinante. A única coisa que ainda me preocupa é a violência.

Quanto a voltar, eu já sondei o mercado algumas vezes, mas ainda não apareceu uma oferta tentadora o suficiente para trocar tudo e retornar ao Brasil. Quando aparecer, não tenho o mínimo problema em voltar ou ir para outro país de qualquer parte do globo. Sou meio nômade. Adoro minha casa aqui, mas não tenho apego a objetos, mobília, nada.

> Vídeo do Canal Londres: Marcio Delgado e os museus da Exhibition Road

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2 comentários

  1. Adorei a entrevista, encontrei por acaso hoje.
    Trabalhei com o Marcio por um tempo bem curto e aprendi muito, principalmente como continuar normal e sempre adiante mesmo em um meio com tanta gente querendo puxar o tapete do outro.
    Sucesso!!!!!!