Minha Londres: Adriana Miller, do Dri Everywhere

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Até a publicação deste texto, exatas 7,4 mil matérias e posts sobre Londres já citaram Samuel Johnson em suas primeiras linhas. “Quem está cansado de Londres está cansado da vida. Há em Londres tudo que a vida pode oferecer”, disse o escritor e lexicógrafo no dia 20 de setembro de 1777, em uma conversa com seu então futuro biógrafo James Boswell, que na época morava na Escócia e questionava se seu entusiasmo pela capital inglesa se esvairia caso viesse a residir na cidade.

> Minha Londres: Mais entrevistas

Trafalgar Square. Foto: Drieverywhere.net

A frase de Johnson não apareceu no parágrafo acima por acidente de percurso nem por uma eventual descoberta tardia. Ela se aplica perfeitamente a uma brasileira de 31 anos que embarcou para morar na capital britânica em agosto de 2005 e até agora não deixou de se encantar com a cidade. Este é o Minha Londres de Adriana Miller, uma carioca que vive em Londres “amando cada minuto” e disseminando essa paixão em textos e fotos no blog Dri Everywhere.

A história começou de uma forma singela. Por que escrever um blog?, perguntou Adriana em seu segundo post, no dia 12 de abril de 2004. “Quem me conhece sabe que escrever não é meu forte… Sou iletrada e quase analfabeta… Apesar de ser filha de uma professora de português, só Deus sabe como consegui sobreviver ao 2º grau… Mas enfim, o que vale é a intenção. Na verdade, é uma tentativa de manter contato com os que aqui ficam… Semana que vem, dia 24 de abril, estou de partida. Vou realizar um grande sonho, que é estudar Turismo na Espanha. Minha jornada começa na Itália; Lá serão dois meses estudando italiano. Em julho, vou para a Espanha; 1º em Madrid estudando espanhol (escrever uma tese de mestrado usando meu “portunhol” imundo não dá!!!) e depois, enfim, VALENCIA!!! Lá vou ficar 1 ano fazendo um mestrado “Master Universitario Internacional en Turismo y Hosteleria” na Universidad Politecnica de Valencia. Tenho certeza que vou amar!! Conclusão: esse blog nada mais é do que uma tentativa de manter as novidades sobre minha vida e minha viagem sempre atualizadas, e dividir com meus amigos as curiosidades e acontecimentos dessa minha jornada”.

Desde esse princípio quase tímido, sem fotos nem grande desenvoltura com o texto, até hoje, de turismo como hobby quase profissional nas horas de folga, passaram-se quase oito anos. Basta observar, por um breve momento, a coluna lateral do Dri Everywhere com as categorias das postagens para entender quantas malas foram feitas e desfeitas nesse período. E tudo relatado com uma simpatia ímpar, um detalhamento carinhoso e ilustrações belíssimas. Ah, e quartos de hotel de dar inveja (agradecimento especial aos empregadores).

Abaixo, Dri fala sobre Londres, Londres, Londres e Londres.

Como foi o primeiro contato com a cidade?

A primeira vez que vim a Londres foi a passeio, em 2004. Foi uma viagem por acaso, eu estava morando na Itália na época e achei uma passagem barata pela EasyJet. Vim completamente sozinha e não sabia o que esperar… Mas de cara amei a cidade, e sabia que um dia voltaria. Antes de conhecer Londres “ao vivo” pela primeira vez, eu tinha uma imagem de uma cidade feia, cinzenta, velha e antiquada. Mas na verdade encontrei uma Londres moderna, porém histórica, muito ativa, com muita cultura, muita arte, muita gente do mundo todo e muita animação. Fiquei apenas quatro dias na cidade e voltei pra Itália completamente apaixonada!

Dri Everywhere: o primeiro post sobre Londres

Little Venice. Foto: Drieverywhere.net

E hoje qual é a sua relação com Londres?

Moro aqui desde agosto de 2005 – e ainda amando cada minuto!

Do que você mais gosta na cidade?

Gosto do clima internacional. Gosto de saber que posso jantar num restaurante Somaliano e depois assistir a uma banda nigeriana, com minha amiga sueca e fechar a noite num bar vietnamita.

São poucas cidades do mundo que são realmente tão internacionais quanto Londres, e que tratam “o mundo” como coisa corriqueira. Aqui eu me sinto em casa e, por mais que eu saiba que nunca serei uma inglesa de verdade, aqui eu também não me sinto estrangeira. Em Londres, todos somos Londrinos, e isso me dá um conforto enorme.

Do que você menos gosta?

A lotação! Às vezes, é frustrante ver os restaurantes sempre lotados, os shows e exposições sempre esgotados e as lojas sempre abarrotadas. Em Londres, dá pra sentir a superlotação populacional na pele, e às vezes isso cansa!

Se tivesse apenas um dia na cidade, o que faria?

Sairia pra passear na beira do Tãmisa! A Area de Southwark é uma das minhas regiões preferidas. Acho que me sinto um pouco no calcadão do Rio!

Dali é possível ver um pouco do mais bonito, mais histórico e mais moderno de Londres, e sempre rende otimas fotos!

E com certeza daria um jeito de passar umas horinhas em algum museu da cidade. E pra fechar o dia, um musical e jantaria uma comida bem exótica!

Dri Everywhere: 1 dia em Londres

Cinco atrações imperdíveis

Queen's Walk. Foto: Drieverywhere.net

A caminhada “Queen’s Walk” é uma de minhas preferidas. Poderia passar horas por lá todos os dias. O British Museum é um dos maiores, melhores e mais completos museus do mundo, e portanto imperdível! Os eventos tipicamente ingleses também são uma ótima opção, seja qual for a época do ano. Eles são uma ótima oportunidade de entender melhor a dinâmica cultural e social inglesa, seja numa corrida de cavalos, jogo de tênis, festival de música no parque, festival gastronômico, etc.

A Oxford Street nao é meu lugar preferido pra fazer compras, porque acho muito confuso e sempre tem gente demais, mas um passeio pela rua proporciona uma das melhores “atividades” a se fazer em Londres: people Watching!

Acha que a cidade está se preparando bem para as Olimpíadas? 

Acho que sim. Os ingleses têm muitos defeitos, mas organização é uma coisa que eles fazem muito bem! Na verdade, a cidade já está se preparando para as Olimpíadas há muitos anos, e eles nunca deixaram ninguém na dúvida de que vão proporcionar um ótimo espetáculo!

Tenho minhas dúvidas em relação ao transporte público, pois acho que não vai dar vazão para acomodar os milhões de turistas, mais o uso do dia a dia das milhões de pessoas que moram aqui, então vai ser interessante ver como a organização do evento vai lidar com isso…

Um dia típico em sua rotina londrina

Ai, ai, ai… Acho que não tenho muitos dias típicos…

Mas um dia “normal” inclui passar por uma das estações de trem mais movimentadas da cidade (essa cultura de “commute” é muito característica da vida Londrina), vou pro trabalho, convivo com inglesas quase o dia todo, e só volto pra casa já tarde. Sempre que possivel, tento incluir outras tividades na minha semana, seja uma peça, exposição, jantar ou pub. Mas a verdade é que o dia a dia é sempre igual em qualquer lugar do mundo. Acordo, vou trabalhar, volto pra casa, assisto TV e vou dormir.

Em Londres: celebrar a presença de outros brasileiros ou fugir correndo?

Hoje em dia, tenho muitos amigos brasileiros que surgiram na minha vida por acaso, mas não é uma coisa que “procure” por aqui. Também não fujo de brasileiros, mas acho que me adaptei bem demais com a vida por aqui e não sinto tanta falta desse contato da “terrinha”, nem sinto falta de falar português e muito menos da comida brasileira.

Mas um conselho que sempre dou para os recém-chegados na cidade é: fuja dos brasileiros pelas ruas, e pra quem quer aprender inglês ou se adaptar na vida e no dia a dia na Inglaterra, o maior erro é se fechar em “comunidades” de brasileiros – minha opiniao pessoal é que esse contato acaba estragando um pouco da experiência de morar fora.

Um episódio curioso no metrô ou no ônibus

Acho que nao se classifica como “curioso”, mas ainda fico muito impressionada quando ouço sobre mortes (e suicídios) nos trilhos de trens e metrôs… Acho uma estatistica horrível sobre Londres.

Dri Everywhere: Passeio pela Aldwych Station, estação de metrô abandonada

A melhor descoberta

Não ter uma descoberta! Sempre saber que, apesar de morar aqui há tantos anos, ainda estou longe de conhecer a cidade toda e ainda tenho muita coisa para desbravar e conhecer!

Dri Everywhere: “Descobertas” de restaurantes e pubs

Já se sente plenamente em casa?

100% em casa, desde o primeiro dia. Londres é uma cidade que me acolheu muito bem.

Pretende voltar a morar no Brasil? Por quê?

Não. Apesar de saber que não sou nem nunca serei uma inglesa “da gema”, hoje em dia tenho plena consciência de que já não sou mais 100% brasileira e, a cada vez que volto ao Brasil de férias, me sinto como uma estrangeira em minha própria casa.

Não sei se vou morar em Londres para sempre, mas aqui definitivamente é o meu lar.

Dri Everywhere: Árvore de Natal londrina

Se você embarcasse amanhã para morar em Londres, com seu conhecimento atual, o que você levaria na bagagem e o que deixaria de fora?

Acho que faria tudo igual. Quando eu vim morar em Londres, eu já tinha morado fora do Brasil outras vezes (Portugal, EUA, Itália e Espanha), então já sabia como funcionava essa coisa de “ser estrangeira”.

É importante não sofrer nem dar atenção demais ao pequenos detalhes da vida – aceite as diferenças como experiências positivas. A vida longe de casa é diferente e ponto final, afinal foi por isso que você saiu de casa, não?

Dri Everywhere: dicas para arrumar a mochila

O que Londres tem que outras cidades europeias não oferecem?

People Watching. Foto: Drieverywhere.net

A internacionalidade, sem dúvida. Por mais que outras cidades também tenham muitos estrangeiros, os ingleses são muito acolhedores e curiosos por natureza. Aqui, sabendo respeitar as regras e costumes locais numa boa, todos são bem-vindos.

Você percebe alguma mudança na sua personalidade por influência da cidade?

Claro! Hoje em dia sou uma pessoa muito mais tolerante e muito mais “politicamente correta”. Admiro muito isso nos ingleses. Eles conseguem ser “corretos” sem serem uns chatos. Mas gosto da filosofia de que a sua liberdade acaba onde começa a do outro, e com respeito mútuo, tudo sempre fica numa boa. Aceite os outros como são, com suas dferenças e dificuldades, e eles também te aceitarão.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Adriana, achei incríveis todas as suas experiências. Já fiz algumas viagens, de em navios inclusive, mas, agora tenho uma bebê de 1 ano e 3 meses e gostaria de saber, como fazer, em um navio para esterilizar as mamadeiras?
    Um abraço e muito obrigada.

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