Entenda quem foi Jack, o Estripador e 5 curiosidades sobre os crimes

Entenda quem foi Jack, o Estripador e 5 curiosidades sobre os crimes

Jack, o Estripador é o apelido do mais famoso serial killer da história. O que muita gente não sabe é que a fama do assassino não se deve ao número de vítimas, e sim a diversas curiosidades e circunstâncias que rondaram os crimes.

Os especialistas acreditam que ele não tenha assassinado mais de cinco mulheres. E ao contrário do que muita gente imagina ainda hoje, ele não estuprava as prostitutas antes de as matar. E nunca proferiu a frase: “Vamos por partes”.

Ficou confuso? A verdade é que Jack, o Estripador se tornou um mito. Embora seja o serial killer mais famoso e investigado da história, ele tem mais lendas em seu entorno do que fatos.

Neste post, vamos entender como foi construída a história de Jack, o Estripador, cuja identidade e número de vítimas até hoje não são conhecidos.

O cenário dos crimes de Jack, o Estripador

O Leste de Londres era um lugar muito pobre no fim do século 19. Nessa época, a região passou a abrigar irlandeses expatriados e judeus refugiados. Assim, o aumento da densidade populacional da área, somado a uma economia decrépita, fomentou o roubo, a violência e a prostituição. Em outubro de 1888, a Scotland Yard estimou a presença de 1,2 mil garotas de programa e a existência de 62 bordéis em Whitechapel.

Esse foi o cenário dos crimes atribuídos a um dos assassinos de apelido mais conhecido da história: Jack, o Estripador (em inglês, Jack The Ripper). Entre 1888 e 1891, onze mulheres, em sua maioria prostitutas, foram assassinadas na região. Os assassinatos ficaram conhecidos pela polícia como The Whitechapel Murders.

5 crimes de Jack, o Estripador

Mas nem todos esses assassinatos são associados atualmente ao Estripador. As principais correntes de estudo entendem que pelo menos cinco dessas mortes tiveram o mesmo autor, cuja identidade ainda se desconhece. Essas cinco mulheres foram assassinadas com corte de faca no pescoço e tiveram órgãos retirados de seu corpo.

  1. Mary Ann Nichols (Sexta, 31 de agosto de 1888)
  2. Annie Chapman (Sábado, 8 de setembro de 1888)
  3. Elizabeth Stride (Domingo, 30 de setembro de 1888)
  4. Catharine Eddowes (Domingo, 30 de setembro de 1888, 45 minuto depois)
  5. Mary Jane Kelly (Sexta, 9 de novembro de 1888).

O mistério acerca de Jack, o Estripador é tão grande, que se formou uma legião de pesquisadores do assunto. Eles têm até nome: Ripperologists. Devido às restrições tecnológicas da época e ao longo tempo de  investigação dos casos, grande parte das evidências originais dos crimes foram perdidas. Muito do que se escreve hoje sobre os assassinatos é baseado nas opiniões desses escritores, que pesquisaram o tema em diferentes momentos, alguns muitos anos depois.

Como Jack matava

Jack, o Estripador tinha um ritual básico para matar. Ele estrangulava as vítimas, puxava uma faca, usava a faca para cortar a artéria carótida (o que provocava quase a morte instantânea) e depois realizava diversos cortes nas regiões do abdômen, dos genitais e da face. Nenhuma das mulheres tinha sinais de estupro.

5 curiosidades sobre o caso Jack, o Estripador

  1. Na época dos crimes, em 1888, a investigação policial ainda engatinhava. Não havia detecção de impressões digitais, e a a ciência forense era uma piada: alguns detetives acreditavam em tirar foto dos olhos da vítima para descobrir o que ela tinha visto por último (de preferência, o assassino).
  2. Por coincidência ou conhecimento, Jack, o Estripador fazia uma espécie de ziguezague entre as jurisdições das duas polícias da cidade, a Metropolitan Police e a City of London Police. Ele matava uma vítima no território de uma polícia e depois matava a próxima no território da outra. Dessa forma, a falta de comunicação entre as forças atrapalhava ainda mais os trabalhos de investigação.
  3. O apelido Jack The Ripper ficou famoso após a polícia receber uma carta supostamente escrita pelo assassino. Suspeita-se, porém, que o texto tenha sido redigido por um jornalista. A imprensa teve um papel decisivo na popularidade do criminoso: distorcia muitos fatos, exagerava em outros e, em alguns, simplesmente inventava.
  4. Quase 130 anos depois dos crimes, ainda hoje há um tour a pé em Londres (bastante popular) que passa por locais relacionados aos assassinatos.
  5. Durante as investigações, mais de 2 mil pessoas foram levadas à delegacia para prestar depoimento.

Cartas do suposto Jack, o Estripador

Após o segundo assassinato, a polícia e os jornais começaram a receber cartas pretensamente escritas pelo autor do crime. Quase todas (ou todas) não passaram de trote. Um jornalista, inclusive, confessou ter redigido a primeira carta na qual aparece o nome de Jack, The Ripper (Jack, o Estripador), datada de 25 de setembro de 1888.

Uma carta, cujo título é From Hell (Do Inferno, reproduzida abaixo), é considerada uma das mais prováveis a ter sido enviada pelo próprio criminoso. Isso porque ela estava dentro de uma caixa que continha um rim.

Supôs-se que o órgão pertencesse à terceira vítima, que teve um rim removido pelo assassino. Na época, porém, a quantidade de trotes era tão grande, que se imaginou que um estudante de medicina pudesse ter redigido a missiva.

Carta From Hell. Clique para ampliar

Quem é o estripador: os suspeitos

Mais de 2 mil pessoas foram levadas à delegacia para prestar depoimento, mais de 300 delas foram efetivamente investigadas e cerca de 80, presas. A concentração dos assassinatos nos fins de semana, todos em ruas próximas, indicou para muitos que o serial killer trabalhava durante a semana e vivia nas redondezas.

Também se suspeitou que o criminoso fosse um médico, pois teria que possuir algum conhecimento cirúrgico para realizar a remoção de órgãos internos. Mais tarde, concluiu-se, no entanto, que as extrações não haviam sido realizadas de forma tão acurada, ou pela falta de tempo para a operação, ou pela imperícia do contraventor. Assim, ampliou-se o escopo das buscas.

O Casebook, um site dedicado inteiramente aos assassinatos, apresenta uma votação de seus leitores sobre quem é o suspeito mais provável de ter cometido os crimes. Confira os três mais votados:

  • James Maybrick
  • Francis Tumblety
  • Walter Sickert.

No site da Scotland Yard, há uma seção dedicada à história da investigação de Jack, o Estripador. Nela, a polícia aponta quatro suspeitos:

  • Kosminski, um judeu polonês que vivia em Whitechapel
  • Montague John Druitt, um professor de 31 anos que cometeu suicídio em dezembro de 1888
  • Michael Ostrog, um russo com inúmeros pseudônimos e diferentes passagens pela polícia e pelo manicômio
  • Dr Francis J. Tumblety, de 56 anos, um americano preso em 1888 por indecência em público, que fugiu do país pagando uma fiança bem alta.

Tour do Jack, o Estripador em Londres

Em Londres, ainda hoje é possível fazer um tour pelos locais relacionados aos assassinatos de Jack. Veja nosso review sobre o tour.

Na prática, sobrou pouca coisa daquela época, e os lugares onde os crimes foram cometidos já estão completamente diferentes. A região de Whitechapel, no East End, que antes era muito pobre, quase uma favela, se desenvolveu e valorizou muito nos últimos anos. Por isso, não espere dar uma de Sherlock Holmes, seguir os passos do assassino e desvendar novas pistas sobre os suspeitos. Na prática, o tour serve apenas para dar uma boa ideia da história e para levar o visitante a entender como era a Londres daquele período obscuro, no fim do século 19.

Leia também: curiosidades da Era Vitoriana

Nosso e-book com 7 dias de atrações em Londres:

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15 comentários

  1. Certa vez discovery chanel fez um documentário, nele estava dizendo que o verdadeiro Jack era uma pessoa chamada ” Charles Allen Lechmere “