Veja como visitar o Highgate Cemetery

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O Highgate Cemetery é um dos mais famosos cemitérios de Londres. Abriga os corpos de diversas personalidades, como Karl Marx, autor de O Capital e Manifesto Comunista, e Douglas Adams, o autor do Mochileiro das Galáxias. Construído em 1839 para sanar a falta de espaço fúnebre na Era Vitoriana, o local, dotado de 15 hectares no Norte de Londres, dá guarida atualmente para mais de 170 mil mortos.

Foto: Gustavo Heldt
A visita ao cemitério de Highgate reserva surpresas. Fotos: Gustavo Heldt, Mapa de Londres

Como visitar o Highgate Cemetery

Existem duas alas: o West Highgate e o East Highgate. Eles são divididos pela Swan Lane. De um lado, o mais antigo, o Oeste; do outro, o mais recente, o Leste. Na Era Vitoriana, de pujança e ostentação, os mortos eram agraciados com sepulturas e túmulos caríssimos, repletos de adornos em memória dos falecidos. O novo espaço foi arquitetado, portanto, para ampliar a margem de lucro do lugar, já que o West Highgate estava sendo completamente tomada.

Estação de metrô: Archway (Zona 2, Northern Line). Depois, pegue o ônibus 210,143 ou 271 para Waterlow Park e pare na segunda estação.

Encontre no mapa

A natureza está por toda parte no caminho até o Highgate Cemetery:

Foto: Gustavo Heldt
O cemitério fica ao lado do belo Parque de Highgate.

É possível visitar as duas alas do cemitério.

West Highgate

Foto: Gustavo Heldt
West Highgate, a ala Oeste do cemitério, mais rica.

O passeio na ala Oeste é sempre guiado.

Entrada: Adulto 7 libras / Criança 3 libras

Horários

Segunda a sexta: o tour sai diariamente, às 13h45. É preciso reservar por telefone com pelo menos uma semana de antecedência. Telefone: 020 8340 1834.

Sábado e domingo: o tour sai de hora em hora, das 11h às 16h. No fim de semana, não é possível agendar com antecedência. Os primeiros a chegar garantem o ingresso.

O que você encontra

Lista de famosos na West Highgate

A ala Oeste é bem mais atraente do que a Leste. Em alguns momentos do tour, dá vontade de sair correndo para o lado contrário e explorar o lugar livremente, de tantos túmulos, efígies, símbolos e estátuas interessantes. Mas não se engane: seria impossível cavocar na história do lugar sem a orientação do guia. Apesar dos sustos em algumas partes do passeio (como quando o guia avisa que, naqueles 15 minutos iniciais, você já pisou em centenas de cadáveres sem saber), a atmosfera densa de Highgate é amaciada pelo humor que permeia cada narrativa. Imperdível.

Alexander Litvinenko

Foto: Gustavo Heldt
Túmulo do espião russo Alexander Litvinenko, que morreu de forma ‘misteriosa’

O espião russo Alexander Litvinenko recebeu asilo em Londres após ser preso em Moscou, em 1999, por acusar seus superiores de um assassinato. Na capital britânica, tornou-se escritor e colaborou com o os serviços de inteligência britânicos, MI5 e MI6. Em novembro de 2006, ele morreu envenenado, por polonium-210. A suspeita de que o governo russo estivesse envolvido abalou a relação com os britânicos na época.

Adam Worth

Foto: Gustavo Heldt
Aqui jaz Adam Worth, o Napoleão do Crime

Arthur Conan Doyle baseou o inimigo de Sherlock Holmes, Moriarty, em Adam Worth, norte-americano que ganhou a alcunha de de “Napoleão do Crime” no século 19. Mas o homem enterrado aqui é tão misterioso, que não se tem certeza nem de seu nome original. Ele nasceu na Alemanha, em uma família pobre, e ainda criança se mudou para os Estados Unidos com os pais. Logo cedo, fugiu de casa, mentiu a idade para poder lutar na guerra, voltou ferido e foi dado como morto. Fugiu do hospital, começou a bater carteiras, e as carteiras seriam apenas as primeiras de seus alvos. Em sua carreira, roubou joias, diamantes, quadros e bancos. Em Londres, montou uma sociedade de crime organizado e pedia para seus comandados não empreenderem nenhum tipo de violência física em suas vítimas. Faleceu em 1902, após ser preso em 1892 e solto cinco anos mais tarde.

Tom Sayers

Foto: Gustavo Heldt
Fiel companheiro, Lion liderou a procissão no funeral de Tom Sayers

O funeral do lutador Tom Sayers foi acompanhado por mais de 100 mil pessoas em 1865. Ao lado do caixão, seu fiel companheiro, Lion, liderava a procissão. Ele faleceu cinco anos após empatar uma das lutas mais famosas da história, considerada por muitos o primeiro Mundial de Boxe, por envolver os “campeões” da Inglaterra e dos Estados Unidos. Na época, a luta por prêmios era ilegal, então o local da contenda não foi revelado. Quem quisesse assistir tinha de comprar o ingresso em um pub determinado, onde receberia uma passagem de trem para o destino acertado entre os dois acertados. Em 17 de abril de 1860, em Hampshire, milhares de pessoas acompanharam o embate. O problema, para Sayers, era que o oponente, John Heenan, tinha 15kg a mais e 8 anos a menos. Resultado: a luta teve 42 rounds, divididos em mais de duas horas. O empate foi declarado quando a turba que assistia à disputa invadiu o ringue, naquele momento já completamente ensopado de sangue. Essa foi a última luta de Sayers, que se aposentou como herói nacional.

East Highgate

Foto: Gustavo Heldt
East Highgate foi construído para ampliar capacidade do cemitério

Entrada: 3 libras (+ 1 libra com mapa do cemitério)
Horários: Segunda a sexta, das 10h às 16h30 (fecha às 17h); Sábado e domingo, das 11h às 16h30 (fecha às 17h).

O que você encontra

A ala Leste, inaugurada em 1856, não é tão bela quanto a Oeste. O frenesi vitoriano da ostentação funeral já havia diminuído bastante. Mesmo assim, vale a visita: há muitos nomes interessantes enterrados aqui, como Karl Marx e Douglas Adams.

Lista dos famosos do Highgate East

Douglas Adams

Foto: Gustavo Heldt
Para os iniciados, 42.

Escritor e comediante britânico, Douglas Adams, falecido em 2001, criou o Guia do Mochileiro das Galáxias, além de ter contribuído com esquetes para o seminal Monty Python. Em cima de seu túmulo, há um pote com canetas que os fãs lhe deixam como homenagem.

Karl Marx

Foto: Gustavo Heldt
Karl Marx, com barbão e tudo, conclama os trabalhadores

Um busto gigantesco do filósofo e autor alemão Karl Marx localiza-se ao lado de seu túmulo. Nele, pode-se ler: “Trabalhadores de todo o mundo, uni-vos”.

Fotos e histórias do Cemitério de Highgate

Os nomes e histórias acima representam apenas uma pequena parte do que há para ver e conhecer no cemitério de Highgate. Na ala Oeste, antes do início do tour, o guia pergunta se o grupo tem interesses específicos dentro do cemitério, porque o passeio pode variar bastante. As histórias envolvem pessoas famosas, episódios curiosos e muitas mortes. Tem gente que sente um clima pesado no ar, especialmente depois de ler tantos epitáfios. Mas realmente vale a pena. Além de conhecer um aspecto fúnebre da Londres Vitoriana, o visitante pode admirar verdadeiras obras arquitetônicas que jazem em memória dos que já se foram.

Foto: Gustavo Heldt
“Caminharíamos um milhão de milhas por um dos sorrisos da mamãe”
Foto: Gustavo Heldt
Este túmulo foi bombardeado durante o blitzkrieg alemão, na Segunda Guerra. O guia brincou que os alemães estavam tão enlouquecidos, que queriam abater até os mortos
Foto: Gustavo Heldt
Os livros lembram a profissão de Jeremy Beadle, escritor e apresentador de televisão falecido em 2008
Foto: Gustavo Heldt
“Fell asleep” é uma expressão muito utilizada nas lápides
Foto: Gustavo Heldt
Esta lápide tem forma de cruz, anjos encrustados na pedra e “Seja feita a tua vontade” na base
Foto: Gustavo Heldt
Símbolos pagãos, como o pentagrama à direita da cruz, encontram-se por todos os lados da ala Oeste
Foto: Gustavo Heldt
Em 1979, “We’ll meet again”. Em 1994, “Reunited”.
Foto: Gustavo Heldt
Ouroboros, a imagem da serpente que devora a própria cauda, é um símbolo de origem grega que representa a eternidade
Foto: Gustavo Heldt
Rosilla Burt, três vezes viúva 🙁
Foto: Gustavo Heldt
Emma Walla Cray faleceu após seu vestido ter pegado fogo
Foto: Gustavo Heldt
Este mausoléu possui diversos símbolos interessantes. À direita, fora da foto, há uma pirâmide, que representa a ligação do céu com a Terra
Foto: Gustavo Heldt
Por dentro do mausoléu

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7 COMENTÁRIOS

  1. Excelente artigo, me ajudou muito para compor meu roteiro.

    Se me permite uma pequena correção, Karl Marx não é o pai do comunismo, pois este já existia muito antes dele. Junto com Engels, eles compuseram as bases do chamado “Socialismo Científico”, expresso no livro “Manifesto do Partido Comunista”. Finalmente, ele não foi economista nem sociólogo. Ele foi filósofo, sim, e jornalista de profissão.

    Um grande abraço!

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