A lei da bandeira vermelha

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Máquina mortífera

Os automóveis eram uma novidade no fim do século 19. No período vitoriano, de revolução industrial e prosperidade econômica, a população britânica precisava de velocidade, mais do que em qualquer outra época e do que qualquer outro povo. Por isso, foi com entusiasmo que as pessoas viram surgir pelas ruas os primeiros carros. E foi com decepção que souberam de uma lei promulgada para preservar a segurança das vias diante de tão terrível ameaça.

Bandeira ou lanterna

A Lei da Bandeira Vermelha, de 1865, obrigava que, à frente de todo automóvel em locomoção, houvesse um homem tremulando uma bandeira vermelha durante o dia e uma lanterna acesa durante a noite, a fim de alertar a todos da máquina letal que se aproximava. Além da sinalização, os carros tinham de se submeter ao limite de velocidade: 2 milhas por hora (aproximadamente 3,2 km/h).

Cuidado, cavalo

A lei foi abrandada em 1878. Com a emenda, as cidades inglesas podiam legislar a respeito da bandeira vermelha. O pedestre à frente do veículo, ainda indiscutível, teve sua distância necessária do carro diminuída de 55 metros para 18 metros. Mesmo assim, se fosse avistado qualquer sinal de um cavalo, o motorista deveria interromper a marcha imediatamente para não assustar o animal e causar um acidente.

A primeira morte

Apesar da lei rigorosa, a adesão aos automóveis aumentou. Em janeiro de 1896, houve a primeira multa para um motorista que dirigia muito acima do limite, a 8 milhas por hora (12,9 km/h). Em agosto, houve o primeiro atropelamento do mundo (sem contar uma mulher que foi esmagada pelo próprio carro). O acidente aconteceu nos jardins de Crystal Palace, em Londres, quando Bridget Driscoll, uma dona de casa de 44 anos, saiu da calçada levemente distraída e entrou na hora para os livros de história. Após a constatação da morte, o chefe da polícia local lamentou: “Espero que esse tipo de coisa nunca mais aconteça”.

Agora vai

O acidente fatal não alterou a tendência de abrandamento das limitações impostas aos veículos automotores. Assim, em novembro daquele mesmo ano, os motoristas tiveram motivo para celebrar pelas ruas: uma nova lei aboliu a necessidade do pedestre à frente do carro e elevou o limite de velocidade para 14 milhas por hora (22 km/h). Logo apareceram automóveis mais rápidos e leis mais tolerantes. E as bandeiradas foram relegadas às corridas.

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