Londres urgente

Londres urgente

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Estação de metrô Oxford Circus
Entrada da estação de Oxford Circus. Foto: Gustavo Heldt, Mapa de Londres

Londres é tão busy, que pode assustar. Nos primeiros dias, o incauto que desembarca no Heathrow pode ficar temeroso ao calcular que tanta pressa se soma à mão contrária nas ruas. Calma, você não será atropelado. A menos que pare do lado esquerdo da escada rolante.

Nas ruas, turistas com mapa na mão são o pesadelo dos commuters. Até as senhoras bem velhinhas de chapéu estão andando mais depressa – e olhando para trás, desconfiando de sua letargia. Mas é no Underground que Londres se move com ainda mais rapidez.

No metrô, a sensação é de urgência. A cada minuto, um novo trem aparece no display da Central Line. Se você perde um, 60 segundos depois aparece outro. E em alguns horários, cada um chega mais lotado do que o anterior.

Na plataforma, as pessoas se alinham. Leem jornais, conferem o smartphone, assistem a vídeos no tablet. Mulheres puxam seu cachorro pela coleira, homens de terno discutem em voz alta e as crianças só não correm porque, normalmente, não tem espaço. Há muito para fazer e pouco tempo para tudo.

Na hora do embarque, a preferência é de quem sai. Mas quem desembarca percebe a ânsia de quem está prestes a entrar. De um lado, a expectativa pelo lugar para sentar; do outro, o fim de um jornada rumo ao compromisso inadiável.

Para captar todos os sinais da pressa de Londres, basta parar do lado direito na escada rolante de uma estação e observar. Parece que todos têm um compromisso importante, e cada um ali está atrasado. Na verdade, a fim de sentir isso na pele, você deve dar um passo para a esquerda – e parar no corredor destinado a quem sobe as escadas rolantes caminhando.

Mas tem vezes que a correria dá uma trégua. Essa trégua pode ser um torcedor com camiseta da inglaterra se jogando pela escada, alguém tropeçando, um indivíduo com a maleta presa na porta do trem, um bando de garotas com fantasia de coelhinhas passeando, Samuel L. Jackson transitando como se fosse mortal, o prefeito Boris Johnson rumo a Westminster e até um comentário espirituoso nos alto-falantes.

Uma das interrupções mais comuns ao fluxo urgente de pessoas e informações é esta aqui:

Os tube buskers, os músicos das estações de metrô de Londres, seguem me alegrando. Impossível não alterar o ritmo dos pensamentos, interromper o turbilhão de preocupações e dar algumas risadas. OK, Londres é grande demais para tão pouco tempo. E o compromisso pode ser mesmo urgente. Mas é melhor chegar sorrindo.

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5 comentários

  1. Putz, é assim mesmo! Cansei de usar a Oxford Circus Station, era todo dia! Geralmente usava em horário de pico, as 19h. Era uma terrível, lotado de gente, tinha que ficar exprimido… Mas quer saber!? Eu quero essa bagunça de novo :'( !!!!!!!

  2. Sempre lendo as matérias por aqui, saudades de Londres. Achei divertido o trecho “Samuel L. Jackson transitando como se fosse mortal”

  3. Adorei o texto, parabéns! Senti na pele (e nos pés rs) o quanto “Londres é grande demais para tão pouco tempo”. Acho que a correria de SP nos prepara um pouquinho hehe