Os jornais da Inglaterra e os primórdios do jornalismo em Londres

Os jornais da Inglaterra e os primórdios do jornalismo em Londres

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Londres é uma das pioneiras do jornalismo. The Times, por exemplo, é um dos jornais da Inglaterra mais influentes da história da imprensa. Dos periódicos mais antigos do mundo, quatro deles surgiram aqui, no século 17, e um segue em atividade.

Ainda hoje, quem passa pela Fleet Street, antiga casa dos principais jornais ingleses, experimenta uma atmosfera diferente. Situada entre os centros do poder e das finanças da cidade, a rua era frequentada por célebres escritores e jornalistas do Reino Unido.

Se você é apaixonado pelas letras, vale a pena conhecer um pouco mais sobre os principais jornais da Inglaterra, a história do jornalismo britânico e a rua que homenageia um antigo rio da cidade e virou sinônimo da imprensa. 📰

Jornais da Inglaterra e de Londres

The Times (Londres)

Fundado em 1785, em Londres, o Times é um dos principais jornais da Grã-Bretanha. É pioneiro do nome, que passou a ser adotado por novos jornais em todas as partes do mundo (como o New York Times), e da fonte “Times Roman”. Sim: a mesma que você usa no computador.

The Times
The Times em 4 de dezembro de 1788

The Guardian (Londres)

Fundado em 1821, em Manchester, o The Guardian é hoje um dos mais importantes jornais da Inglaterra. Ganhou notoriedade ao dar dois grandes furos jornalísticos nos últimos anos: em 2011, noticiou o escândalo das escutas telefônicas que levaram ao fechamento do News Of The World; a partir de 2013, revelou ao mundo o delator Edward Snowden e o esquema de espionagem mundial do governo americano. Em 2014, foi nomeado “Jornal do Ano” pela British Press Awards por essa série de reportagens.

The Sun (Londres)

Fundado em 1964, o The Sun é um jornal diário de tiragem exorbitante em todo o Reino Unido e na Irlanda. É um jornal com pouca notícia e muitas fofocas de celebridades e resultados dos esportes.

Daily Mirror (Londres)

Fundado em 1985, o Daily Mirror é um polêmico tabloide diário britânico. Ganhou mais notoriedade a partir de 2004, quando o presidente Bush foi reeleito e a publicação trouxe na capa a manchete: “How can 59,054,087 people be so DUMB?”.

Daily Mail (Londres)

Publicado inicialmente em 1896, o Daily Mail é um jornal britânico, de inclinação editorial conservadora. Foi o primeiro jornal mais direcionado para a hoje chamada “classe média” e o primeiro a vender um milhão de cópias por dia.

Manchester Evening News (Manchester)

Fundado em 1868, o Manchester Evening News é um jornal diário regional, que circula pela Grande Manchester, no noroeste da Inglaterra. Tem uma circulação diária média de 52.158 exemplares.

Daily Express (Londres)

Fundado em 1900, o Daily Express é um tabloide diário britânico situado em Londres. Já estabeleceu vários recordes de circulação. Em julho de 2011, atingiu a marca de 625.952 exemplares circulando.

Financial Times (Londres)

Fundado em 1888, o Financial Times é um jornal diário internacional (com sede em Londres), com ênfase em notícias de negócios e economia. O site FT.com tem 4,5 milhões de usuários registrados, além de mais de 285.000 assinantes digitais e 600.000 usuários pagantes.

Jornais mais antigos da Inglaterra

O título de jornal mais antigo do mundo não é uma unanimidade. Ele varia de acordo com vários critérios que caracterizam um jornal, como a periodicidade, a acessibilidade, entre outros. De acordo com a Associação Mundial de Jornais, esse posto é do germânico Relation, publicado pela primeira vez em 1605, em Estrasburgo, que fazia parte do então Império Romano.

A Inglaterra não fica muito atrás nessa “disputa”, apesar da censura ter atrapalhado o desenvolvimento do jornalismo em diferentes momentos. Entre os periódicos mais antigos do mundo, quatro são do país:

  • The London Gazette (de 1665)
  • Worcester Journal (de 1709)
  • The Newcastle Journal (de 1711)
  • The Stamford Mercury (de 1712).

O jornal mais antigo da Inglaterra, o London Gazette, ainda está em circulação. Sua história é bastante peculiar e tem raízes em uma grave crise de saúde pública: em 1665, durante a Grande Praga, que assolou Londres. Criado para publicar as notícias da realeza, ele foi impresso em seus primeiros anos na cidade de Oxford, onde o Rei Charles II se refugiava, com medo da peste bubônica. Era chamado de Oxford Gazette. No número 24, porém, a corte retornou à capital, e o noticioso ganhou o nome usado até hoje.

Fleet Street: berço dos jornais da Inglaterra

Fleet Street
Fleet Street é o berço da imprensa britânica. Foto: iStock, Getty Images

Durante muitos anos, as raízes da imprensa na Inglaterra – especialmente em Londres – se estabeleceram na lendária Fleet Street: o endereço inicial das redações dos primeiros jornais ingleses. O local era puramente estratégico, já que ficava entre os centros político, City of Westminster, e financeiro de Londres, a City of London.

A Fleet Street ganhou suas primeiras impressoras por volta de 1500. Nos anos seguintes, diferentes editoras de livros se estabeleceram na rua e começaram a lhe dar notoriedade.

O Daily Courant, primeiro jornal de Londres não ligado ao governo, foi publicado na Fleet Street em 1702. Muitos outros o seguiram e, quando um imposto do papel foi abolido, a imprensa local prosperou. No início do século 20, todos os grandes jornais eram impressos nessa rua.

Após a era industrial, com o advento da internet, os maiores jornais da Inglaterra começaram a migrar para outros logradouros. Mesmo assim, ainda hoje, jornalistas, estudantes e simpatizantes das letras se sentem em casa na Fleet Street. Vale visitar os pubs da região, antigos e frequentados séculos atrás por pioneiros do jornalismo.

Se passar por lá quando estiver em Londres, sugerimos uma visita ao pub Ye Olde Cheshire Cheese – reconstruído após o Grande Incêndio de 1666, e frequentado em diferentes momentos por Charles Dickens (um dos principais autores vitorianos) e Samuel Johnson (criador de um dos primeiros dicionários da língua inglesa).

Jornalismo na Inglaterra

“Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade”. A frase é atribuída a George Orwell, célebre escritor e jornalista que marcou a história do Reino Unido com seus artigos e crônicas perspicazes.

A frase é ótima para resumir um pouco de como a imprensa britânica se distinguiu do resto da Europa em seu desenvolvimento. Embora ela tenha passado por períodos de censura (em 1659, predominou o controle régio sobre as publicações: apenas dois jornais tinham permissão para circular), as premissas para um jornalismo democrático e acalentador da liberdade de expressão se estabeleceram na Inglaterra mais precocemente do que no resto da Europa.

A partir da Declaração de Direitos de 1689, foram lançadas as bases constitucionais para que o Reino Unido se tornasse o berço de uma democracia parlamentar, garantindo a liberdade de pensamento e expressão como “um direito natural dos cidadãos”. Depois de sua instauração, rapidamente passaram a surgir jornais com as mais diferentes temáticas pelo país.

O modelo de liberdade de imprensa na Inglaterra, porém, gerou – e ainda gera – opiniões divergentes. A perseguição dos tabloides às celebridades já garantiu muita dor de cabeça à Coroa. E quem não se lembra do triste fim da Princesa Diana, em um acidente de carro enquanto era perseguida pelos paparazzi?

Gostou de conhecer melhor os jornais da Inglaterra e um pouquinho dos primórdios e do desenvolvimento do jornalismo no país? Deixe um comentário.

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