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Bloody Mary: a origem do drinque e a história da Rainha Maria I

Exótico no nome e no sabor, o Bloody Mary é um drinque cercado de lendas. Se você é fã da cultura inglesa, já deve ter ouvido falar que o coquetel foi batizado em alusão à Rainha Maria I da Inglaterra, que ocupou o trono entre 1553 e 1558. Mas qual é a verdadeira ligação entre a bebida alcoólica e a monarca? É o que você vai descobrir em seguida.

Quem foi a Rainha Maria I

Bloody Mary, Rainha Maria Sangrenta
Rainha Maria I, por Antonio Moro. Imagem: Domínio Público

Sem dúvidas, a Rainha Maria I está entre as mais mal faladas da Inglaterra. Se a fama tem relação apenas com seus atos ou se os historiadores moldaram um pouco sua biografia, é difícil saber ao certo. Mesmo assim, vale conhecer alguns registros sobre essa figura emblemática, que ganhou um drinque e muitas lendas em seu nome.

Infância de Maria

Maria, ou Mary – se você preferir -, nasceu em 18 de fevereiro de 1516, e foi a única herdeira do Rei Henrique VIII e Catarina de Aragão a sobreviver na infância. O problema é que seu pai era obcecado por ter um filho homem.

A obsessão de Henrique VIII

Fácil de entender: como naquela época a posição das mulheres não era de igualdade aos homens, Henry não sabia se uma filha teria condições de herdar pacificamente a coroa sem uma guerra pela sucessão. E foi justamente uma guerra pela sucessão que levou o pai dele, Henry VII, ao trono. Um herdeiro homem, em sua visão, garantiria uma transição pacífica no poder.

O pecado dos pais de Maria

Para o azar de Maria, o casamento de seus pais tinha uma origem desconcertante. Antes dessa união, sua mãe fora casada com o irmão do rei, Arthur, até sua morte. Essa peculiaridade não parecia um problema para Henrique VIII no início, mas, com o passar dos anos, passou a assombrá-lo. À medida que suas tentativas de produzir um herdeiro homem eram frustradas, ele culpava o enlace pecaminoso com Catarina.

Henry VIII em seus últimos dias. Imagem: Domínio Público
Henry VIII. Imagem: Domínio Público

A batalha de Henrique VIII

Movido por suas obsessões, Henrique VIII, em meados de 1527, começou a travar um embate com a Igreja Católica. O objetivo era anular o casamento com Catarina e desposar Ana Bolena, filha do Duque de Norfolk. Como o Papa não consentia, o Rei rompeu laços com o catolicismo e criou sua própria religião, a Igreja Anglicana.

A mãe de Maria, católica ferrenha, jamais aceitou ter seu casamento anulado. Ela foi exilada e passou a viver longe da filha.

Em sua jornada de loucura pelo herdeiro, Henrique VIII tirou Mary da linha de sucessão, mandou matar sua segunda esposa, Ana Bolena, e se casou com Jane Seymour, que faleceu ao dar à luz um menino.

Resumindo a história: Henrique VIII teve ao total seis esposas, mandou matar duas delas e faleceu em 1547. Com o falecimento, um conselho regente assumiu o poder até seu filho e herdeiro direto, Edward VI, atingir a maioridade. Só que, aos 15 anos, ele ficou doente e, pouco antes de morrer, indicou uma prima para sucedê-lo e assim impedir a ascensão de suas irmãs, Mary e Elizabeth. Ele tinha medo que Mary, católica convicta, vertesse a Inglaterra ao catolicismo.

Rainha Maria Sanguinária, a Bloody Mary

Cansada de ser a vítima, Maria trocou de papel e, aos poucos, deu início a uma caminhada que lhe renderia mais tarde o apelido de “Maria Sanguinária”, a Bloody Mary. Exilada, Maria reuniu um exército de seguidores devotos de sua mãe, invadiu Londres, destronou sua prima Jane e a jogou, junto do pai e do marido, na Torre de Londres. Seu principal objetivo como rainha era restabelecer o catolicismo na Inglaterra e reatar as relações do país com Roma.

Mas aí entra em cena Filipe II da Espanha. Em 1554, a Rainha Maria I desposou o príncipe espanhol, filho de Carlos V e futuro Rei Felipe II da Espanha. Na Inglaterra, a união foi tremendamente mal vista. Muitos achavam que ele se intrometeria nas decisões executivas inglesas. De fato, o casamento foi a derrocada dela e levou os revoltosos a tentarem depô-la.

Assim se instaurou a fúria da Rainha Maria. O exército da rainha esmagou os revoltosos e passou a perseguir os protestantes. Foram mais de 300 execuções em cinco anos. Digamos que seu reinado foi bastante… bloody.

Um Bloody Mary para Hemingway

Feito com suco de tomate, vodca, pimenta e especiarias, o bloody mary é um drinque apreciado há muitas décadas. Mas não há certeza sobre a origem do coquetel.

Uma das teorias é que ele foi criado nos anos 1920, pelo barman do “Harry’s New York Bar”, Fernand Petiot, em Paris. A invenção teria sido solicitada por americanos, que queriam levar de volta aos Estados Unidos um drinque com aparência e fragrância que mascarassem seu teor alcoólico, já que o país estava submetido à Lei Seca na época. Interessante, não é?

Bloody Mary e o Harry's New York Bar em Paris
Harry’s New York Bar, em Paris, se orgulha de ter criado o primeiro Bloody Mary. Foto: Drhaggis, CC by SA 3.0

Outra abordagem, esta pouca embasada, diz que o bartender Bertin Azimont criou o coquetel para Ernest Hemingway. O escritor teria pedido um drinque sem odor de álcool, para que sua esposa não percebesse que ele estava no bar.

Se a origem da bebida tem diferentes versões, o nome que leva não é diferente. Uma teoria diz que ele é batizado em homenagem à Mary Pickford, uma atriz americana de cinema mudo. Outra afirma que o nome veio de uma garçonete, do bar chamado Bucket of Gold, a quem os clientes atribuíram o apelido de bloody Mary.

Para a maioria dos amantes da bebida, porém, não há dúvidas quanto à inspiração para o nome do drinque: a Rainha Maria I da Inglaterra. No fim das contas, não importa que ela teve um reinado curto e que o rompante de execuções não seja uma exceção na história da monarquia britânica: Mary será sempre lembrada por sua fúria destemida.

Receita de Bloody Mary

Quando se tornou popular, na década de 30, o drinque Bloody Mary foi apontado como uma bebida capaz de curar ressaca. Não há nenhum embasamento científico para essa afirmação, mas é possível que sua forte base vegetal ajude o estômago a se recompor, enquanto o sal repõe eletrólitos perdidos e, assim, alivia dores de cabeça.

Bloody Mary
Foto: iStock, Getty Images

De qualquer modo, a união do salgado do tomate e do sal com a acidez do limão, o sabor picante da pimenta e a neutralidade da vodca fazem do bloody mary um drinque excepcional, mas desafiador. Afinal, é preciso encontrar um equilíbrio entre os ingredientes na hora do preparo.

Se você quer experimentar o drinque histórico ou apenas saborear uma boa bebida, vale anotar a receita:

Ingredientes do drinque

(rende quatro drinques)

500 ml de suco de tomate gelado

2 colheres de suco de limão

2 colheres de molho inglês

8 gotas de molho de pimenta

1 talo de salsão

Pimenta do reino e sal

Cubos de gelo.

Modo de preparo

Em um copo, adicione a vodca, o molho inglês e o suco de limão. Acrescente os temperos (pimenta, sal e pimenta do reino) na quantidade em que preferir. Depois, coloque o suco de tomate e misture. Para finalizar, basta adicionar o gelo e decorar com o talo de salsão.

E aí, gostou de conhecer um pouco das origens do Bloody Mary e a história da Rainha Maria I, a Rainha Sanguinária? É fã do drinque ou vai testar a receita? Deixe um comentário!

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